“De onde viemos. O que somos. Para onde vamos.”

  Império começou a nascer, certo dia, quando numa livraria, em Paris, eu me surpreendi com a quantidade de livros históricos sobre a França, os mais variados, para todos os gostos e idades. Eu lembro de ter pensado que aquilo era uma parte fundamental no exercício de amar-se enquanto povo, sociedade e nação.
  Contar a própria história, lançar diversos olhares sobre o mesmo tema, falar de nosso passado de uma maneira arrebatadora é, a meu ver, a maneira mais rápida de chegar ao coração das pessoas e recuperar um pouco da auto-estima perdida no correr dos anos, além de proporcionar um entendimento sobre o grupo a que pertencemos que nos permita crescer.
  Isso tudo eu fui pensando, naquela livraria e, quando voltei para o hotel, já sabia que eu queria escrever um musical sobre o primeiro reinado, visitando a corte e tentando entender, através da história, um pouco do caráter que nos forma hoje e que é determinante em nossa trajetória.
  Voltei das férias e comecei a ler sobre o assunto, encomendei as pesquisas e fui gostando de mergulhar outra vez nos corredores do paço, ouvindo o farfalhar das saias e um ou outro grito de desespero da rainha espanhola.
  Convidei Josimar Carneiro, que tinha trabalhado comigo, como diretor musical e responsável pelos arranjos, em dois musicais de sucesso, South American Way e Godspell, para fazer a música e ele aceitou. Eu lembro que estava na Prefeitura, quando ele disse que queria muito fazer e, quando voltei para casa, no carro, pensando que era hora de sentar e começar a escrever, no alto do viaduto, eu vi um imenso painel, tomando toda a lateral de um edifício – D. João retratado por Debret.
  Pronto. Eu tinha uma cena. Na Lagoa, a coisa já tinha avançado e Debret já era o narrador. Portanto, a peça começaria anos depois, quando Debret de volta à França, velho, no meio do inverno parisiense, lembra com melancolia de outros janeiros, mais amáveis. Talvez ele pudesse estar num andaime, ainda trabalhando, pintando um grande painel que tomaria a boca de cena.
  E, assim, quando sentei para começar Império, comecei pelo começo, o que nem sempre acontece, e a abertura foi-se desenhando. Mandei para o Josimar e ele, antes do que eu esperava, apresentou uma música linda e eu soube que nós tínhamos começado.


Imperio

Musical de Miguel Falabella & Josimar Carneiro

Imperio

Musical de Miguel Falabella & Josimar Carneiro

Imperio

Musical de Miguel Falabella & Josimar Carneiro