Musical americano em montagem de primeira

Equipe técnica e elenco liderados por Miguel Falabella criam belo espetáculo

O aspecto mais pitoresco de “O circo da paixão”, no original, “Godspell, forma arcaica de gospel (evangelho), é o fato de o musical em cartaz no Teatro Carlos Gomes, ter nascido como uma dissertação de mestrado nos Estados Unidos, país onde se aceita a lógica do estudante-criador apresentar uma obra como prova de aproveitamento de sua pós-graduação. Sem dúvida, é raro uma aprovação ser confirmada por uma carreira de sucesso na Broadway, caso de “Godspell”, quando de sua apresentação nos anos 70. Nos EUA, país preponderantemente protestante – e portanto com um público de grande intimidade com a leitura dos evangelhos – o espetáculo tinha uma ligação muito mais próxima e imediata do que entre nós. Por isso mesmo, aqui, ficam um tanto cansativos alguns momentos de puro relato dos textos bíblicos. Mas... que espetáculo lindo! A tradução de Miguel Falabella de textos e canções é fluente, permitindo a público compreender e acompanhar o espetáculo. Além disso as letras cabem corretamente na música, coisa que só nos últimos tempos vem acontecendo e é responsável pela clara adesão do público aos musicais. A par disso, a constatação de que temos atores que podem cantar bem e dançar com graça (e precisão, que era o que não acontecia outrora...).

Claudio Tovar cria uma festa de cores

Para ambientar o circo onde se desenrola a ação, composto por ilustrações de parábolas do Evangelho segundo S. Mateus, Falabella chamou Cláudio Tovar para fazer cenário, figurinos e adereços. O resultado é que o espetáculo vira uma festa de cores, bordados e enfeites dos figurinos que ainda se multiplicam com o correr dos episódios, a se agitar na frente de uma linda estrutura que sugere um circo (e também os camarins), tudo muitíssimo bem iluminado por Guilherme Bonfanti. A direção musical de Josimar Carneiro é impecável, com o elenco inteiro cantando em conjunto e servindo muito bem os vários solistas, todos com vozes excelentes. A coreografia é de Roseli Rodrigues e novamente é mais que gratificante o trabalho de conjunto, muito bem explorado para criar o universo de cada uma das parábolas. A direção de Miguel Falabella junta tudo isso com muita segurança e procura, mesmo nos momentos mais alongados do texto, alcançar uma comunicação fácil com o público, buscando sempre dinamizar o espetáculo. A cena que usa o rádio-teatro é muito bem achada, e é um bom exemplo do que Falabella cria.

Elenco equilibrado e solistas de belas vozes

O elenco está equilibrado, com óbvio prazer no que está fazendo. Frederico Silveira se destaca como Jesus, mas Janaína Bianchi, Camila Caperti, Fabio Yoshihara, Francisco Farinelli, Ivan Parente, Lílian Valeska, Pedro Lima, Roberto Rocha e Sara Sarres estão todos bem, com vozes realmente bonitas as dos solistas. “O circo da paixão” é realmente um espetáculo lindo, cujas muitas qualidades mais do que compensam alguns momentos mais pesados do texto. A montagem é de primeira ordem.

Barbara Heliodora | 2002


Godspell

O Circo da Paixão

A direção musical de Josimar Carneiro é impecável, com o elenco inteiro cantando em conjunto e servindo muito bem os vários solistas, todos com vozes excelentes.

Godspell

O Circo da Paixão

Para ambientar o circo onde se desenrola a ação, composto por ilustrações de parábolas do Evangelho segundo S. Mateus, Falabella chamou Cláudio Tovar para fazer cenário, figurinos e adereços.

Godspell

O Circo da Paixão

A tradução de Miguel Falabella de textos e canções é fluente, permitindo a público compreender e acompanhar o espetáculo. Além disso as letras cabem corretamente na música